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Beja II é um dos vários bairros sociais da cidade de Beja. Construído no fim dos anos 70, pós 25 de Abril, o Beja II ocupa terrenos cedidos pela CMB. Entre uma primeira e segunda fase foram construídos cerca de 300 fogos parte dos quais foi eventualmente vendido a alguns dos arrendatários sendo, de momento, um bairro de carácter semi-primado.

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O projecto arquitectónico inicial desenhado por António de Almeida Dias, arquitecto do Fundo de Fomento da Habitação (FFF), não incluía qualquer proposta de projecto para os espaços comuns exteriores. Nunca, desde 1978, foi elaborado qualquer desenho para o desenvolvimento desses espaços. Contudo,  segundo os relatórios da CMB, há uma vontade de ajardinar o terreno proporcionando um novo espaço de lazer para os habitantes do bairro e dos bairros adjacentes (nomeadamente o Beja I, mais conhecido por Texas).

As dificuldades financeiras, tanto por parte do Município como por parte dos proprietários, tem levado a que o Beja II tenha vindo a cair num estado gradual de degradação. É urgente investir na renovação física do edificado do bairro. As queixas dos moradores debruçam-se essencialmente sobre o estado danificado das coberturas dos prédios, problemas de água, esgotos, infiltração e pintura.

Embora perto do centro (10 minutos a pé), o Bairro é considerado parte da periferia da cidade. Como tal, excepto durante os Santos Populares que decorrem no mês de Junho e quando é colocado um mastro no descampado, são poucas as visitas de elementos exteriores ao bairro.

A existência de inúmeras associações no terreno não é sinónimo de unificação ou agregação entre os residentes. Paradoxalmente ao que seria esperado, não existe um espírito de comunidade entre os moradores.

A Associação de Condomínios desempenha um papel intermediário entre a CMB e os vários moradores (proprietários ou arrendatários). Contudo, as funções desempenhadas são maioritariamente administrativas contribuindo para o cuidar do interior dos prédios, mas não para a dinamização do mesmo.

Recentemente, a Associação Arruaça, que esteve durante algum tempo desactivada, compensa a falta de oferta de actividades recreativas no bairro. Re-aberta em Abril de 2015, prevê-se que os Arruaça contribuam para a dinamização da população mais jovem do Beja II.

Existe, efectivamente uma falta de diálogo entre espaço, edificado e população, e uma inércia para alterar o espaço público do Beja II.

Foi iniciado o mapeamento de espaços de carácter informal, espaços verdes, de desporto e laser, espaços para crianças e idosos jogarem e brincarem, tanto a uma escala mais pequena, do bairro, como à escala da cidade. Os resultados das observações serão expostos nesta página e devem ajudar a informar o desenho das intervenções para os espaços comuns.

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Mapa Portugal_Beja-01

BEJA & ARU’s
Beja é uma das 51 cidades com ARUs (áreas de reabilitação urbana) identificados pelo IHRU. Beja II, assim como o centro histórico da cidade, é uma das áreas que necessita intervenção urgente. Contudo, não existem verbas disponíveis para a reabilitação da mesma.

Embora capital de distrito, a cidade de Beja, como grande maioria das pequenas cidades do interior de Portugal, sofre do fenómeno denominado por ‘shrinking cities’. A população que ainda permanece na cidade tem vindo a envelhecer e a percentagem de população jovem não contrabalança a população envelhecida. As indústrias e produção agrícola que outrora traziam vida à cidade têm vindo a desaparecer levando a que muitos dos edifícios tanto no centro como nos arredores se encontrem desocupados.

A categorização do Beja II como ARU apenas prevê a necessidade de reabilitar o edificado sem dar especial importância às áreas envolventes. É neste hiato que emerge o projecto ‘outros espaços’ procurando complementar a possibilidade de uma intervenção meramente focada no edificado, com uma abordagem mais holística que incluí tanto uma camada menos estática de intervenções temporárias, como uma camada social de dinamização dos espaços criados.

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Beja II is one of the various Social Housing Estates in Beja. It was built on Municipal land at the end of the 70s, after the 1974 revolution. Approximately 300 dwellings were built between the two phases of the project. Part of the dwellings were eventually sold to some of the tenants. The neighbourhood is currently part-public, part-private.

The architectural project was designed by António de Almeida Dias, an architect form the FFF. None of the drawings included a project proposal for the outdoor spaces. Never, since it was built in 1978, were there any plans for those spaces. However, according to Municipal reports, there is a will to make a develop a landscape proposal for the development of those spaces providing new spaces of leisure for the neighbourhood’s inhabitants as well as for the inhabitants of the adjacent neighbourhoods (including Beja I, also known by its nickname ‘Texas’).

The financial difficulties, both Municipal and from the property owners, as lead to the gradual decay of the neighbourhoods infrastructures. It is urgent to invest on the physical refurbishment of the building stock.The complaints of the residents focus on the run down conditions of the roofs, water leaks, painting.

Although close to the city centre (10 mins walking), the neighbourhood is considered to be at the edge of the city. As a result, except during the Santos Populates (popular festivities) that take place in June, and when a stage for balls is installed in the empty space, there are few visits to the neighbourhood from people who don’t live in the vicinities.

Though it has the highest percentage of associations per square metre in the Municipality, that does not mean a sense of community exists in the neighbourhood. Paradoxically to what would be expected, a sense of community and unity does not exist amongst the local residents.

The Associação de Condomínios (Residents Association) plays an intermediary role between the CMB and the various residents (property owners or tenants). However, its functions are mostly administrative contributing to the maintenance of the internal spaces of the buildings. Very few initiatives have been initiated to make the neighbourhood more dynamic.

Recently, Arruaça (association), that was temporarily not active, has been making up for the lack of offer of leisure and learning activities in the neighbourhood. It re-opened in April 2015 and it is expected that Arruaça will help making the neighbourhood’s younger population more active.

There is, effectively, a lack of dialogue between space, building stock and the local population as well as a lack of self initiative to transform the neighbourhood.

BEJA & ARU
Beja is one of the 51 cities with ARUs (xxx) identified by IHRU. Beja II, along with the city’s historical centre, is one of the areas that needs urgent intervention. However, there is no funding  currently available to be invested in any building works.

Although Beja is the capital of Baixo Alentejo’s district, like most small scale interior cities in Portugal, it is considered a ‘Shrinking City’. The city’s population has been growing old and the percentage of younger people does not balance up the percentage of elderly people. The former industries and agricultural production that used to bring liveliness to the city have slowly been disappearing. As a consequence, many of the buildings in the city centre and outskirts are down derelict and abandoned.

Beja II’s has been considered an ARU, but only the building stock has been taken into account for any regeneration. It is in this hiatus that the project [ outros espaços ]  emerges. Its aim is to complement the possibility of a merely formal intervention focused on the veiling stock, with a more holistic approach that includes a more fluid layer of temporary interventions, as well as a social layer that intends to bring some new social dynamics to the created spaces.

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The Mapping of the site is underway. Informal spaces, green spaces, places for sports and leisure, spaces for the children and elderly to play, both in a small scale and at the scale of the city, are being identified. The results from all the observations will be published in this page and should help inform the drawing of the different interventions for the shared spaces.

 

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